Mochilão, uma experiência transformadora

Fazer uma grande viagem quando se ainda é jovem e cheio de sonhos é uma experiência transformadora, e ainda mais se essa viagem for um mochilão. É quando o mundo se descortina pra você, e você compreende a beleza da história, das artes, das diferenças culturais… e também é quando você passa a entender melhor o país onde mora e compreende o porquê de muitas coisas serem como são.

 Nesse aspecto, o “mochilão” é muito mais do que uma mochila grande que você sai carregando pelo mundo afora. Ele é um estilo de viagem para quem busca economizar e/ ou rodar por muitos países em um curto espaço de tempo e, para alguns, se torna quase uma filosofia de vida…

E em tempos de alta do Euro o mochilão é a opção certa para quem busca conhecer vários países, fazer novos amigos e ainda  economizar.

Se você está pensando em fazer um mochilão está no caminho certo, pois vamos esmiuçar os detalhes que precisam ser pensados antes de você embarcar. No meu caso, o mochilão foi pela Europa que por ser relativamente pequena, proporcionou rodar pelas principais capitais em 30 dias. Nesse post vamos falar de hospedagem, bagagem e roupas, alimentação, previsão do tempo, transporte e segurança.

mochilão pela Europa Bianca Na dúvida, embarque

Dicas para fazer um mochilão seguro e inesquecível

Hospedagem: os albergues são uma ótima opção para quem quer economizar e sabendo procurar você pode ficar em excelentes albergues, confortáveis e bem localizados. Existem algumas redes de albergue internacionais, como a Hi Hostels, a mais comum entre os brasileiros, mas é importante frisar que nem todos tem o mesmo padrão de qualidade e, portanto, nem todos valem a pena.Para ter direito ao desconto de 10% sobre o valor  basta se cadastrar no site e receber sua carteira de alberguista.

Na hora de escolher o albergue não leve em conta apenas o valor; saber a localização é fundamental pois há albergues muito afastados que te obrigam a usar vários meios de transporte (ônibus e metro, por exemplo) e isso demandará tempo e dinheiro. A conclusão é que nas cidades em que os albergues são afastados vale investir em um hotel.

Ao contrário do muita gente pensa dá pra tomar banho quente, tomar um bom café da manhã e até lavar roupa nos albergues, além de ser muito feliz fazendo um mochilão! Acredite. Essa prática é muito difundida na Europa e você verá que essa idéia errônea de que albergues são ruins é apenas mais uma daquelas besteiras que contam pra gente.

Em termos de organização os quartos dos albergues variam dentro das seguintes opções: quarto coletivo misto; quarto coletivo feminino; quarto coletivo masculino; quarto privativo, com banheiro, na maioria das vezes,  fora do quarto, o que não chega a ser um problema. Alguns albergues possuem quartos privativos e com banheiro, mas nesse caso os preços são diferenciados, mas ainda sim melhores do que os preços de hotéis.

Para os quartos coletivos não esquecer de levar cadeado para os armários pois apesar de não ser comum sumir nada nos albergues sempre existe a possibilidade.

Bagagem e roupas: Para quem vai fazer um mochilão “clássico”, ou seja, ficando em albergue, a melhor opção é realmente a mochila já que os armários dos albergues são apropriados para o tamanho delas. Além disso, no percurso haverá diversas escadas (ônibus, metrô) e puxar uma mala de rodinha pode ser bem pior que carregar sua própria mochila nas costas. Vale também a recomendação de levar uma pequena bagagem de mão para o caso de haver extravio da bagagem no vôo.

A mochila deve ser escolhida com critério pois devem ser adequadas a sua altura e peso (verifique na hora da compra a etiqueta).

Se quiser levar uma mala com rodinhas pode ser que ela não caiba em todos os armários e, assim, elas ficam mais vulneráveis uma vez que o recomendado é guardar suas coisas no armário e trancá-lo com cadeado.

Mas, se você já tentou e não consegue se imaginar viajando pela Europa com uma mochila nas costas pode levar sua mala de rodinha – desde que seja de boa qualidade e resistente, para aguentar as caminhadas, o sobe e desce das escadas dos metrôs, mas do tamanho certo para que ela caiba no armário e não haja o risco de ninguém levar a sua mala. Não que isso aconteça. Nunca soube, mas é uma precaução que nós brasileiros já estamos acostumados a ter  – e não custa nada.

Quanto à roupa leve apenas o necessário, nada além pois o peso recairá sobre você, literalmente. O ideal são roupas leves e de tecido que não amarrotem e um bom tênis confortável. Se estiver indo no verão um casaco é suficiente. Dependendo da duração da viagem será preciso lavar roupas nos albergues/ hotéis e por isso a melhor opção são malhas que esticam bem e não precisam passar.

Previsão do tempo: no dia do embarque pesquise a previsão do tempo para todas as cidades, pra ter certeza que está levando as roupas certas porque mesmo indo no verão pode ser que pegue uma frente fria e aí as roupas leves e fresquinhas não servirão. Leve também guarda-chuva e  capa para a mochila, caso esteja chovendo nos dias de travessia (algumas já são vendidas com essa capa impermeável, mas você pode improvisar com uma capa de chuva mesmo)

Alimentação: esse é um dos itens mais variáveis pois enquanto o albergue e a passagem de trem têm o mesmo preço pra todos, o que você vai comer pode ser bem diferente do que outro mochileiro comeria… realmente vai depender de quanto dinheiro você dispõe para gastar com sua alimentação. Existem muitas lanchonetes com preços em conta, redes de fast food, mas com certeza onde você vai conseguir comer mais, melhor e por um preço em conta são em alguns supermercados que dispõe de restaurantes ou comidas prontas para serem levadas. Além dessas opções também existe a possibilidade de cozinhar no albergue (alguns dispõe de cozinhas bem equipadas).

Transporte:  o mais gostoso é andar a pé… e ir conhecendo a cidade, claro! Mas nas grandes cidades o metrô é inevitável; Entre cidades ou países a melhor pedida é o trem ou avião, dependendo da distância/ tempo de viagem do trem.  Se a viagem de trem durar mais de 4 horas já vale a pena considerar o avião.

Existem passes de trem para atender a todos os tipos de viagens, levando em consideração os países e número de dias que você pretende viajar, mas a pesquisa requer um pouco de paciência. O melhor site para passes dentro da Europa é o Eurail mas também é possível pesquisar nos sites de cada companhia de trem como a OBB (Áustria), DB Bahn (Alemanha), SNCF (França), RENFE (Espanha) e assim por diante.

Segurança: a primeira e mais importante dica de segurança é: planeje-se. Planeje tudo, ou quase tudo… Se você souber para onde está indo, o que está indo fazer, a que horas sai o trem, você não se sentirá inseguro ou perdido e nem dará chance para algum espertinho chegar perto de você. É importante saber endereços e horários. Olhe todos os mapas e saiba em que direção está andando.

Nas minhas viagens pela Europa vi algumas pessoas dormindo em estações de trem para economizar uma diária. Não recomendo que façam isso pois além de dormir mal e ficar mais exposto a assaltos você ficará tão cansado que não aproveitará bem o dia seguinte.

Outro artifício usado para economizar são os trens noturnos para trechos mais longos, em que você pode comprar um leito, dividindo a cabine com outras pessoas (em outros leitos). Particularmente não achei uma boa idéia, mas valeu como experiência! A não ser que não tenha outra opção ou que queira muito saber como é a experiência, acho que não compensa pois não dá pra dormir bem (barulho do trem, outras pessoas na cabine, fiscal do trem que pede o bilhete, polícia de fronteira que passa pedindo o passaporte) e quando desembarcar ainda vai ter que carregar uma mochila um tanto quanto pesada. Aconteceu comigo no trecho de Munique para Paris… não dormi nada e sai carregando a mochila até o albergue.

Em relação ao dinheiro, cartões e documentos (principalmente o passaporte) nunca os perca de vista. Em albergues, até mesmo na hora do banho leve-os com você. E se você se sentir inseguro não hesite em usar a bolsinha de segurança por baixo da roupa. Hoje em dia o mais recomendado é o uso de cartões pré-pagos, recarregáveis de qualquer lugar pela internet. E como te possibilitam sacar em alguns caixas eletrônicos, não há necessidade de andar com grandes quantias em espécie.

 Além de tudo isso não esquecer dos cadeados para a mochila e para o armário…

Outra dica importante: sempre leve os telefones e endereços de embaixadas e consulados pois dependendo do país pode ser importante. Também para caso de perda de documentos como o passaporte.

Ao final dessa viagem você com certeza reavaliará alguns valores e tirará algumas lições. Pra mim a lição foi: “menos é mais”. Descobri que precisamos de muito menos do que imaginamos para viver e que podemos ser realmente muito felizes com apenas uma mochila, sobretudo se estivermos bem acompanhados.

E aí, quando você embarca para seu primeiro mochilão?

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