Slow Travel – mais do que um estilo de viagem, uma filosofia de vida

Em um mundo onde corremos o tempo todo, como se a vida fosse uma maratona com linha de chegada, até a comida é “fast”. Não nos damos conta, mas fazemos tudo de forma cada vez mais rápida, para termos tempo de cumprir outras obrigações. Em oposição a essa correria surgiu o slow travel, sobre o qual falamos nesse post.

Com a ampliação do uso da internet e dos aparelhos que cabem na palma da mão, desacelerar e desligar está cada vez mais difícil. Como efeito, muitas pessoas sentem-se culpadas e angustiadas quando não estão “fazendo nada”, sentem como se estivessem perdendo tempo.

agitação e correria_ Nova York_ Na dúvida embarque

O mesmo acontece com as férias, que já não são suficientes para tudo o que queremos: descansar versus viajar e conhecer o mundo inteeeeeeiro! Quantas vezes não voltamos cansados das nossas férias?…

Esse movimento “fast” acabou gerando um contra-movimento, de tornar as ações mais prazerosas e tranquilas, em busca de um equilíbrio constante. Ironicamente, tranquilidade e qualidade de vida são a nova tendência, embora os italianos tenham descoberto o “dolce far niente” há tantos séculos.

Na esfera das viagens, a expressão slow travel está relacionada a um modo diferente de viajar. Mais do que isso, ela incorpora em si mesma uma filosofia de vida, um estilo de viver.

slow travel_Na dúvida embarque

Diante da realidade dos pacotes de viagem, às vezes tão curtos e intensos, muitas pessoas não se satisfazem, ficando com a impressão de ter apenas passado pelos lugares, e de ter visto tudo pela metade, ou nem isso… Quem não lembra da propaganda da Kodak, na qual um carro em alta velocidade passava pelas atrações e a turista tentava, sem sucesso, tirar fotos, levando para casa apenas borrões?!

A pergunta que devemos fazer é: por que não demorar um pouco mais e viver aquela experiência com mais equilíbrio, sentindo cada momento, saboreando cada dia com tudo o que ele tem a nos oferecer? Ter tempo para voltar ao restaurante de que mais gostou ou àquele lugar especial em sua viagem dos sonhos não seria bem melhor?

Na Itália esse movimento ganhou nome e é reconhecido como Modelo Levanto. A cidade da região da Ligúria, que dá nome ao novo paradigma, é um exemplo reconhecido mundialmente de como viver bem. E, irremediavelmente, isso significa viver mais lentamente.

Claro que alguns destinos propiciam mais esse estilo slow travel do que outros. Por razões históricas e econômicas que a levaram a tal posição, a cidade de Levanto contou com a ajuda de todos seus habitantes para que o modelo prosperasse. Foi algo pensado e desejado.

Já cidades como Los Angeles e Nova Iorque (por outras razões históricas e econômicas) são típicas cidades de correria e agitação, sendo difícil, muitas vezes, ter um outro olhar sobre elas e agir diversamente da maioria. Mas toda regra tem sua exceção.

Nova York tem várias opções tranquilas e distantes da agitação da Times Square ou do Financial District. Ao norte da ilha de Manhattan, o Central Park é o lugar ideal quando as pessoas precisam relaxar, se exercitar e descansar, seja deitando na grama ou fazendo Yoga e meditação.

E o que dizer de um passeio por West Village ou pelo Soho, típicos bairros novaiorquinos que transmitem a atmosfera e estilo do american way of life? Ao sul da ilha, onde fica o Distrito Financeiro, com a bolsa de valores e sedes das maiores empresas do mundo, paradoxalmente ficam o Memorial do 11/09, local de respeito, silêncio e meditação e, bem próximo dali, o Battery Park é uma opção para relaxar, observando a baía de Nova York.

Do outro lado da costa Americana, Los Angeles possui a imagem de uma cidade violenta, conturbada e engarrafada, mas não é bem assim. Praias incríveis (e capazes de fazer qualquer um querer voltar mil vezes) estão a alguns quilômetros de Downtown Los Angeles, como Manhattan Beach, Hermosa Beach e outras.

beach praia California_ Na duvida embarque (Small)

Às vezes, os turistas buscam apenas os pontos turísticos famosos e as cidades grandes e badaladas, esquecendo que cidades pequenas tem seu charme e sua história, e pode valer a pena conhecer. Todo lugar tem uma atmosfera e só conhecendo para entender. Muitos turistas deixam de ir a uma cidade “pois não tem nada pra fazer”. Mas sempre tem! Mesmo que não haja monumentos e prédios incríveis e seja um local de contato com a natureza, o passeio pode ser excelente. Não à toa o Parque das Sequóias, na Califórnia, que “só tem árvores”, é uma das maiores atrações dos Estados Unidos.  Não são apenas árvores. São árvores enormes e milenares (algumas com quase 5.000 anos de vida). São consideradas verdadeiros fósseis vivos e têm uma importância enorme para a biodiversidade do planeta.

O importante mesmo, nessas nossas andanças, é encontrar o sentido e a beleza do lugar, das pessoas que você encontrará pelo caminho, dos cheiros e cores e, claro, reencontrar-se, reequilibrar-se e apaixonar-se de novo e de novo pela vida. É entender que ganhamos quando sentamos em um pequeno café e apenas observamos a vida passar, sem compromisso e sem ansiedade de fotografar tudo.

Aliás, caro leitor, se está buscando informações sobre viagens em seu celular, antes de dormir, recomendo que descanse, desconecte-se e durma bem!

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