Viajando com seu pet

Levá-los ou deixá-los, eis a questão!

Um grande dilema para quem gosta de viajar e possui animais de estimação é descobrir o equilíbrio entre essas duas paixões. Muita gente deixa de viajar por não saber o que fazer com o animalzinho, que são parte da família e merecem todo respeito e carinho de nossa parte. Outros até partem levando cachorro, papagaio e periquito, como se costuma dizer, mas voltam correndo e jurando nunca mais cometer o mesmo erro, assim chamada a primeira tentativa mal sucedida.

cachorro viajando_Na dúvida embarque

Pensando nisso, decidi pesquisar e escrever um pouco sobre minha experiência, compartilhando tudo isso aqui com vocês. 

Já experimentei os dois tipos de viagem. Quando fui para Campos do Jordão (SP) e Cabo Frio (RJ), de carro, a schnauzer foi junto, mas quando fiz um cruzeiro, tive que deixá-la em uma hospedagem para cachorros.

Confesso que a segunda opção é a mais cômoda, sobretudo porque tinha certeza de que ela estava feliz e sendo muito bem tratada. Ela adorou fazer essa “viagem” e ficar hospedada em um “hotel”: afinal, nossos animaizinhos também gostam e precisam passear e socializar com outros bichos.

Acontece que cada animal tem hábitos e comportamento próprios, e ao ser deixado em um ambiente estranho, com pessoas que nunca viu, a reação pode ser a melhor ou a pior possível. Uma vez, por exemplo, nossa rottweiler foi deixada em um canil por uma semana, mas ninguém chegava perto dela e, obviamente, voltou triste e bem magra.

Destino ideal

Precisamos pensar sobre a viabilidade e necessidade de levar o animal para viajar. Às vezes, a decisão mais acertada é deixá-lo com algum parente ou amigo, — como da vez que ficamos dois meses com um casal de calopsitas —, ou, se não tiver nenhum conhecido que possa cuidar deles, hospedá-lo.

Nem todos os locais são pet friendly. Navios não aceitam pets. Algumas praias proíbem a entrada de gatos e cachorros. Cidades grandes, onde há muitas atrações para visitar (como museus), não são uma boa idéia.

O ideal é levar apenas em cidades pequenas, onde seja possível passear a pé, ao ar livre, onde haja parques e natureza. E, claro, só viajar com os animais quando a temperatura estiver agradável, já que eles sofrem demais com muito frio ou com calor intenso. Mais uma vez: verão de 40º graus, praia e badalação são para gente e, não, para animais de estimação.

Aliás, nunca é demais explicar que, no verão, faz muito mal andar na rua com seu cachorro após as dez da manhã. Isso pode até matar seu bichinho ou, no mínimo, queimar as patinhas dele. Muitas pessoas não sabem disso e, não sei por quê, essa informação não é tão divulgada quanto a da hidratação humana ou do uso de protetor solar.

O hotel de cachorros

Se decidir deixar seu pet, no caso de cães, é muito importante pesquisar hotéis de cachorros em sua cidade e visitá-los antes de deixar seu animal. Assim, você pode observar as condições de higiene do local e como são tratados os animais que já estão hospedados.

Veja ainda se há bastante espaço para seu cão se mexer e se oferecem atividades para ele, pois não é legal deixar o animal trancado num canil sem ver ninguém ou sem fazer nada durante todo o período de sua viagem — aliás, como disse antes, foi o que aconteceu em um hotel que deixamos nossa rottweiller, e isso não foi legal.

Eles prometeram que a soltariam no gramado para correr, fazer as necessidades etc.; mas, quando fomos buscá-la, estava triste, magra e com o pelo muito molhado. Questionados, reconheceram que nenhum funcionário chegou perto nem entrou no espaço onde ela estava pois, segundo eles, ela estava agressiva (latindo) e ficaram com medo. Ora, se eles não sabem lidar com esse tipo de animal, por que aceitaram? :/

O seu hotel

Se decidir levar seu pet com você, será preciso pesquisar por hotéis que o aceitem. São as famosas hospedagens pet friendly. Os hotéis onde ficamos, tanto em Campos do Jordão (SP) como em Cabo Frio (RJ) os aceitavam, mas cobravam um valor a mais.

Como será a viagem é sempre uma surpresa: não tem como adivinhar se o animal ficará agitado por estar em um ambiente novo, nem se vai latir quando você sair do quarto sem ele. E, no caso de cães, nem pense em deixá-lo latindo, pois os hóspedes do hotel não são obrigados a tolerar isso: afinal, eles estão de férias e querem silêncio. Normalmente o animal reage de acordo com os donos.

A malinha do pet

Assim como você, seu pet também precisa de uma malinha para se sentir à vontade em um lugar que nunca esteve antes. Seja viajando de carro ou de avião, para longe ou para perto, é necessário separar os itens mais importantes, como a cama, os brinquedos, vasilha de água e comida, a ração que ele está acostumado a comer, remédios, carteira de vacinação, coleira e algum pano ou roupa com cheiro da família, principalmente se a opção for hospedá-lo. Isso vai fazer com que ele se sinta muito mais confortável.

É importante também, antes da hospedagem, dar comprimidos e passar remédio contra pulgas.

 Viajando de carro

A schnauzer viajou de carro, durante cinco horas, quietinha. Até parecia entender que era preciso esperar. A dica para que corra tudo bem é alimentá-los uma a duas horas antes de sair de casa, levar para passear, fazer suas necessidades para, assim, ficarem tranquilos.

É importante saber que o Código de Trânsito Brasileiro exige que os animais sejam transportados de forma adequada e segura, nunca soltos, nem mesmo no colo dos passageiros (artigos 235 e 252, II). O certo é colocá-los em caixa apropriada e que seja utilizado cinto de segurança próprio para isso. Então, atenção, pois não seguir a regra pode levar você a ser parado, multado e perder pontos na carteira de habilitação por não fazer o transporte corretamente.

Viajando de avião

Como nunca levei meus bichinhos no avião, pesquisei bastante e acabei descobrindo que existem empresas especializadas no assunto.

É importante saber que levar um cachorro ou gato no avião não é algo simples, exige muitos cuidados e, ainda assim, existem até relatos de animais que morrem, sobretudo aquelas raças com problemas respiratórios.

Algumas empresas permitem que animais pequenos (com 5, 7 ou 10 kg) viajem na cabine, junto com o passageiro, desde que tenha sido feita reserva prévia para o animal.

O mesmo não ocorre com os animais de grande porte, que devem ser colocados na caixa apropriada (com tamanho suficiente para que o pet fique de pé e consiga dar uma volta em torno de seu corpo) e despachados para o porão da aeronave. No momento da viagem, confira todas as regras junto à companhia aérea escolhida.

Além disso, a ANAC exige um certificado de vacinação antirrábica e um atestado assinado por veterinário de que o animal está em boas condições de saúde para viajar.

Já para viagens internacionais é preciso obter o Certificado Veterinário Internacional, emitido pelo Ministério da Agricultura em cada Estado. Alguns países da Europa podem exigir atestado de sáude, carteira de vacinação e exame sorológico, além da colocação de um microchip.

Não esqueça de verificar atentamente as regras de cada companhia aérea para você não correr o risco de ficar sem seu animalzinho pois existem casos em que animais não entram em hipótese nenhuma, nem com todos os certificados do mundo. Eles ficam retidos por um período de quarentena que pode até durar meses! Isso acontece na Austrália, por exemplo.

Pesando na balança

A viagem com animais sempre vai ser mais complicada do que sem eles, em todos os sentidos. Claro que vai haver momentos bons, mas também bastante estressantes como, por exemplo, almoçar e jantar em restaurantes. Nem todos aceitam, e os que aceitam costumam permitir cachorros somente na varanda externa.

A burocracia do aeroporto também é estressante e envolve riscos para a saúde e segurança do animal. Na minha opinião, só vale a pena levar um animal no porão do avião se estiver se mudando ou indo passar um longo período no destino. Caso contrário, o ideal é deixar o animal com alguém de confiança ou no hotelzinho.

Por fim, os gastos com a hospedagem do animal, com remédios contra pulgas, carrapatos e vermes, e com as vacinas que não estejam em dia, talvez não justifiquem levar o bichano ou o cãozinho para uma viagem curta.

Assim, se não for possível fazer uma viagem equilibrada e agradável para ambas as partes, o melhor é não levá-lo.

E pra finalizar, uma homenagem às protagonistas desse post.

Schnauzer_ cachorro_Na dúvida embarque

Rotweiller_ Heavy_ meu cachorro_Na dúvida embarque

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