Budapeste, o melhor da Hungria

Budapeste virou notícia nos últimos meses em razão do grande fluxo de imigrantes que chega à cidade tentando alcançar a Áustria e a Alemanha. Apesar de todo o alarde da imprensa e da evidentemente séria questão humanitária, posso dizer que, durante os três dias em que estivemos por lá, não nos deparamos com nenhuma situação que prejudicasse nossa viagem ou nos colocasse em risco. Nem mesmo nas estações de trem: estava tudo normal, pelo menos do ponto de vista turístico. Os imigrantes não estão a passeio: estão apenas querendo chegar nas cidades-fim.

Budapeste é uma cidade acolhedora e cheia de personalidade. O mínimo para conhecer bem a cidade e aproveitar as atrações são 3 dias, mas se estiver pensando em relaxar e aproveitar os famosos banhos termais, então o ideal seriam 4 dias.

Abaixo seguem nossas dicas sobre o que fazer, onde ficar e onde comer.

Até 1873 havia a divisão entre as  cidades de Buda (na margem direita do rio Danúbio) e Peste (na margem esquerda). Mas as cidades foram unificadas e se transformaram em uma das mais belas capitais da Europa; não à toa é a sexta cidade mais visitada da Europa!

No primeiro dia é legal visitar a cidade de Buda, toda tombada pela Unesco. Para conhecê-la, é preciso quase um dia inteiro, sobretudo se quiser ir aos museus. No caminho até lá, aproveite para passar sobre a ponte Széchenyi (ponte Chain), primeira a unir os dois lados da cidade.

Já que Buda é a parte mais alta da cidade, para subir o morro do castelo, a melhor forma é utilizar o funicular (cujo bilhete custa 1.200 Ft por pessoa). A propósito, para visitar a Hungria é preciso trocar seu dinheiro por Florins Húngaros, o que pode ser feito no aeroporto ou em casas de câmbio pela cidade, ou até em outras cidades do Leste Europeu (e foi o que fizemos: ao chegar em Praga, trocamos dólares por Coroas Tchecas e Florins Húngaros).

Budapeste: dicas e relatos da capital da Hungria

funicular budapeste budapeste na duvida embarque

fila para o funicular budapeste hungria na duvida embarque

Neste lado da cidade estão várias atrações importantes, tais como o Palácio Real que abriga a Galeria Nacional Húngara, com obras da Art Nouveau húngara dos séculos XIX e XX, dentre outros estilos e períodos. Porém, de verdade, o que mais gostei foi de apenas passear pelas ruas e observar a vida por lá, que já dá uma pintura.

ruas de buda budapeste hungria na duvida embarque

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Na praça Szentháromság está a Igreja de São Matias, construída entre os séculos XIII e XV, e modificada no século XIX, como é possível perceber pelo telhado de ladrilhos, exemplo da arte húngara daquele período. Ainda na praça avista-se a estátua do Rei Estevão, que foi santificado e recebeu uma catedral em sua homenagem.

Lá de cima se tem uma linda vista de toda a parte baixa da cidade de Budapeste, com destaque para o Danúbio e o Parlamento. Para quem gosta de curtir um belo visual com a merecida calma, o restaurante com vista panorâmica e música ao vivo é uma boa opção para almoçar.

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parlamento visto do castelo budapeste na duvida embarque

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Há vários outros restaurantes nesse lado da cidade, mas a dica é comer nas barraquinhas que oferecem comida típica da Hungria igualmente saborosa por um preço bem mais em conta. Você pode encontrar essas barracas no Festival de Arte Popular que ocorre todos os anos, durante o verão, na área externa do Castelo. Normalmente são apenas 3 dias de evento no mês de agosto, mas se estiver indo para o Leste Europeu nessa época, não deixe de coincidir a estadia na cidade com esse que é um dos mais importantes eventos do país.

É tão bom se ambientar e perceber a cultura local… Nesse Festival é possível observar a cultura húngara nas suas mais variadas formas de expressão: dança, música, artesanato e culinária. Aliás, a coloração avermelhada de grande parte dos pratos típicos se deve ao fato de a páprica ser um dos elementos mais utilizados na cozinha húngara! Uma delícia… pode comer sem medo!

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Ao passear por Buda, observe os ladrilhos nos telhados, exemplo de um movimento artístico chamado Secessionismo, aproveite para conhecer a feira e o trabalho artesanal típico da Hungria, como as rendas, cerâmicas, instrumentos musicais, entre muitos outros – e, claro, não deixe de experimentar os deliciosos doces húngaros!

feira de produtos típicos budapeste Na dúvida embarque

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Ainda em Buda, passe pela Igreja de Maria Madalena, muito bombardeada na Segunda Guerra Mundial, porém reconstruída, em cujo pátio há uma ótima exposição de fotos contando sobre os diversos ataques na Segunda Grande Guerra, que destruíram praticamente toda a cidade!

Para ir embora, há o funicular, mas prefira descer o morro do castelo passando pelas barracas da feira de produtos típicos (mas atenção pois o Festival de Arte Popular tem uma curta duração – procure se informar sobre a data). Na verdade, o caminho é parte das muralhas da antiga cidadela e é possível observar como funcionava o castelo antigamente, lá no alto da colina. Na feirinha você encontra presentes para a família toda, e o bom é que sai do óbvio, daqueles produtos vendidos em massa nas lojinhas de souvenir.

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O segundo e mais cansativo dia (para as pernas!) fica dedicado a conhecer Peste, o outro lado da cidade, onde, na verdade, você estará hospedado, já que a maioria dos hotéis fica por lá.

Uma idéia é ir até o Parlamento Húngaro, prédio inspirado no famoso parlamento inglês, que possui 691 salas e impressionantes 96 metros de altura, sendo a maior construção neogótica da Europa. Há visitas internas diariamente às 10, 12 e 14 horas, com tour guiado em inglês, mas é necessário reservar com antecedência (ao custo de 3.500 Ft para cidadãos não europeus).

parlamento budapeste hungria na duvida embarque

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Desça margeando o rio até a Ponte das correntes, e depois siga para a Basílica de São Estevão, onde está uma relíquia bastante estranha: a mão mumificada do próprio Rei Estevão. A entrada é gratuita, mas para subir ao domo é necessário pagar 500 Ft. Essa é a maior igreja católica de Budapeste, e o interessante é que o Santo foi na verdade o primeiro rei da Hungria, celebrado fundador do Estado Húngaro e, somente depois de sua morte, santificado.

Outra atração da Basílica de São Estevão é encontrar o túmulo do famoso jogador de futebol Puskas (1927- 2006). Ele, que é um símbolo nacional, idolatrado por todos e considerado pelos húngaros como o melhor jogador do mundo está enterrado na principal igreja de Budapeste. Não poderia ser diferente, já que ele parece ser até mais importante do que o próprio rei.

Inclusive, a FIFA resolveu que o prêmio de gol mais bonito do ano se chamaria Prêmio Puskas, tamanha importância desse craque húngaro que não fica atrás de Pelé ou Maradona.

catedral budapeste na duvida embarque

Ali perto está a Ópera Nacional, onde também há visitas guiadas pelo interior do prédio, além, claro, de concertos e óperas. Para quem gosta de arquitetura, é interessante observar o estilo Neo- renascentista da construção.

Não se pode sair de Budapeste sem passear pela Váci utca, o calçadão mais importante de pedestres, com muitos cafés, restauranteslojas e souvenirs.

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Também é imprescindível conhecer o maior e mais antigo mercado aberto da cidade, o Grand Market Hall (rua Fovam tér), onde o telhado de ladrilhos chama a atenção de tão lindo! Mas atenção, pois só funciona de segunda a sábado, das 6 as 17 horas (sábados até as 15 hs).

Muitas barraquinhas de souvenirs, produtos típicos, alimentos (legumes, verduras, carnes, queijos) e bebidas, além de comidas típicas prontinhas e à disposição para quem quiser almoçar por um preço super em conta. Lá também ocorrem Semanas Culturais, com eventos que permitem uma maior ambientação com a cultura húngara. Para quem não conseguir ir a Budapeste durante o Festival de Arte Popular, do qual falamos, sem dúvida o Mercado é uma ótima opção para conhecer de perto essa cultura tão rica.

mercado municipal budapeste na duvida embarque

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Uma das atrações mais interessantes e emocionantes de Budapeste e de todo o Leste Europeu é a Great Synagogue (com entrada a 3.000 Ft), a maior sinagoga de toda a Europa. A construção é muito bonita e luxuosa. Em seu interior há um museu sobre os judeus e um pequeno cemitério, que surgiu de um dia para o outro quando, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de corpos de judeus foram deixados no que originalmente era o pátio interior da sinagoga. Os que foram identificados possuem placas com seus nomes; os demais foram enterrados sem identificação, mas nem por isso com menos importância, pois a história deles é contada até hoje (e para sempre). Há um tour guiado de hora em hora, mas nesse caso o preço é maior. Budapeste possui um total de 22 sinagogas e uma das maiores comunidades judaicas da Europa.

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cemiterio da sinagoga Great sinagogue budapeste na duvida embarque

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O terceiro e último dia foi o dia de relaxar e descansar da viagem, que já durava 15 dias. Fomos ao famoso Gellért Gyógysürdö, que fica em Buda (na base do morro do castelo) e é muito mais do que um banho termal. Além de contar com um luxuoso hotel, eles oferecem serviço completo de spa.

Construído em 1918, era um dos mais prestigiados banhos de Budapeste. Famoso por seu hall principal em estilo Art-Nouveau, possui duas piscinas grandes (uma indoor e outra outdoor, sendo que esta foi a primeira piscina de ondas do mundo). Esse banho termal na verdade é um spa, no qual você pode escolher entre relaxar nas piscinas aquecidas, tomar sol ou fazer massagem, pedicure etc. Além disso, está provada a eficácia medicinal dessas águas para quem tem problemas de circulação e de coluna. A temperatura da água nas piscinas aquecidas fica entre 36 e 38º C; 19º C na piscina indoor; e 26ºC na piscina externa.

O ingresso às piscinas custa 4.900 Ft para dias de semana e 5.100 Ft nos finais de semana. Uma observação importante: é possível alugar toalhas lá mesmo, levar a sua ou até mesmo ficar sem uma, caso você queira se secar ao sol. Leve uma touca de natação (ou uma daquelas de banho mesmo), pois na piscina interna (a principal) seu uso é obrigatório. 

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Também em Buda fica outro banho termal, mais antigo: o Rudas Gyogyfurdo és Uszoda, na Szt Gellert rakpart, próximo a ponte Erzsebet híd (nossa, quanto nome estranho!).

No final do dia, ainda nesse clima relax, decidimos fazer pela primeira vez o city tour em uma daquelas empresas famosas (que estão por todo lado), pelo preço de 5.000 Fl por pessoa. Sinceramente, não gostei e não recomendo. Não sei se foi o nosso ônibus estava com problema, mas ele ficava mais parado do que andando. Em cada ponto era uma eternidade pra sair e enquanto o ônibus andava o áudio explicando sobre a cidade era interrompido diversas vezes e não retomava do ponto onde parou, ou seja, não teve proveito algum. Não recomendo esse ônibus nem mesmo para pessoas que tenham dificuldade de andar. Foi um desperdício de dinheiro e tempo. Quando percebemos que o passeio seria assim descemos do ônibus!

Por fim, outras atrações para quem vai a Budapeste com mais tempo são: o City Park  que possui um zoológico, um castelo, um lago, uma casa de banhos e onde é possível andar de bicicleta; a Praça dos Heróis, onde fica um grande monumento aos heróis nacionais; e o Museu de Belas Artes. Todos bem próximos uns dos outros, porém afastados da parte central da cidade.

Outras opções são o Museu Húngaro Nacional e o passeio de barco pelo rio Danúbio, com saídas de Vigadó tér (pier 7) e parada na Ilha Margarida (4200 Fl).

Onde ficar: o apart-hotel em que ficamos hospedados é muito bom e a localização é perfeita! Na rua há vários restaurantes e barezinhos (jantamos quase todas as noites por lá mesmo), e nos finais de semana, ocorre uma feirinha de artesanato e antiguidades. O local é frequentado por moradores e o clima é bem legal, além disso prático e pertinho do hotel e da estação de metrô. Confiram o All 4U Apartments.

feira budapeste na duvida embarque

vista quarto hotel budapeste na duvida embarque

Onde comer:  Na Holló utca há vários restaurantes assim como na Vací utca: o calçadão de pedestres tem praticamente um restaurante ao lado do outro, desde Mc Donald’s e Burger King até restaurantes de comida japonesa, tailandesa e italiana. Mas não deixem de experimentar a comida do Mercado Municipal, o Grand Market Hall. Como falei, além de ser uma comida típica da Hungria, o preço é bem mais em conta do que ir a um restaurante. E, claro, se estiver na cidade durante o Festival de Arte Popular, também não pode deixar de experimentar as comidas e os doces típicos que são oferecidos por lá.

Parece inevitável querer visitar Budapeste depois de ler e pesquisar sobre essa cidade, não é verdade? Afinal, poucos lugares conseguem ser tão charmosos, tranquilos e autênticos ao mesmo tempo, sem dúvida merecendo o apelido de “Pérola do Danúbio”. Basta uma caminhada às margens do rio para perceber a beleza dessa cidade que combina arte, culinária, diversão e história numa atmosfera única! Eu fiquei com muita vontade de voltar a Budapeste e também de conhecer outras cidades da Hungria.

E como se não bastasse tudo de bom que contamos sobre Budapeste, a melhor notícia é que ela não é uma cidade cara (quando comparada, por exemplo, com outras capitais como Paris ou Londres), e, juntamente com suas vizinhas Praga, Viena e Bratislava, compõe uma das mais lindas viagens pela Europa.

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